A Sandra e a Olga

Ela estava com uma criança. Se aproximou e pediu para que eu tirasse uma foto dela.

Eu, com a minha câmera fotográfica pendurada no pescoço, mochila nas costas e até meio distraído, não pensei duas vezes. Fiz este retrato em uma demonstração de gentileza. Em seguida, ela perguntou de onde eu era. Assim que respondi que vinha do Brasil ela sorriu e disse que seu nome era Sandra. E também me pediu uns trocados pela foto.

Eu não dei o dinheiro. Disse que não tinha. Ela insistiu mais algumas vezes. Disse que eu deveria pagar pela foto. Que eu devia este dinheiro a ela agora. Ignorei. Ela Acabou indo embora com cara de poucos amigos.

Isso se passou na cidade de Pushkar, ao norte da Índia. Fica no deserto e é conhecida também pela famosa feira de camelos que eles organizam por lá anualmente.

Os termômetros chegam a marcar inacreditáveis 53º por lá.

Fiquei nesta cidade por dois dias. É uma cidade interessante. Considerada sagrada pelos indianos. É a única na Índia que possui um templo dedicado ao deus Brahma. Mas posso dizer que é a cidade que eu menos gostei. Vou escrever em um outro post porque eu achei isso.

Bem, no último dia em que eu estava por lá eu encontrei novamente essa mesma mulher. Ela se aproximou de mim, puxando a criança pelas mãos e pediu para que eu tirasse uma foto dela. Eu agradeci dizendo que não e continuei a caminhar. Ela perguntou de onde eu era. Ignorei.

Ela insistiu. Me acompanhou por mais alguns metros e disse que seu nome era Olga.

Eu sorri para ela. Sua reação foi um misto de sorriso, desconfiança, esperança e fim. Exatamente como ela está aí nesta foto.

Olhei para aquele rosto marcado pelo sol do deserto pela última vez e segui o meu caminho.

Por Marcos Galinari – fotógrafo, videomaker e documentarista // www.instagram.com/marcosgalinari

 

desvieidarota

Olá! Que bom que você veio! Sou Marcos Galinari, fotógrafo, videomaker, documentarista e apaixonado por contar histórias! Todo mundo já deve ter ouvido falar de uma das 7 maravilhas do mundo ou de um roteiro turístico pra lá de deslumbrante não é mesmo?! Mas, o que acontece quando você literalmente desvia da rota e vai além do cartão postal? Com certeza muitas descobertas e grandes experiências! E é este o meu objetivo por aqui. Dividir com vocês muito mais do que dicas de viagens e turismo. Eu quero, através do "Desviei da Rota", poder inspirar as pessoas através das minhas viagens. Vem desviar da rota comigo!

5 thoughts on “A Sandra e a Olga

      1. Quantas mulheres podem caber nela… que frase interessante! Sim, verdade. Eu fico pensando também em outro aspecto: no quanto é fácil aceitar a visão do outro e ser quem o outro deseja quando você precisa… Ou seja, aceitar essa visão ocidental que busca o exótico…

      2. Mas imagina como deve ser: interpretar meio que um papel, por necessidade… Embora não acho que as pessoas pensem muito nisso, apenas fazem porque precisam. E, se parar para pensar bem, não é o mesmo que todos nós fazemos? Interpretamos e entregamos aquilo que esperam de nós.. Especialmente em tempos de redes sociais…

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