Em cada janelinha uma história

As estações de trem na Índia costumam ser bem sujinhas. Pessoas dormindo em qualquer lugar, cheiro de xixi, o chão é imundo e às vezes até molhado. Não é raro passar um rato aqui e outro alí. Mas não tem muito o que fazer.

O negócio é ter paciência, ouvir umas músicas e ver o movimento passar. E quando a canseira bate, pode ter certeza que você também vai escolher algum cantinho e dar uma esticadinha.

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Às vezes você pode ficar horas esperando. Os trens na Índia quando atrasam, atrasam de verdade! E aí você pode ficar duas, três e até cinco horas ou mais sem ter o que fazer.

Ficar parado na estação esperando o seu trem chegar também pode ser muito legal. Com certeza é aquele tipo de experiência que depois você vai levar para a vida. E até… sentir saudades.

E é entre uma música e outra, um chai e outro que você pode sair, dar umas voltinhas, fazer rápidas amizades e também tirar muitas, muitas fotos de passageiros em suas janelinhas.

Aliás, as janelinhas dos trens na Índia são verdadeiros portais por onde passa de tudo e de tudo acontece. Podem servir como entradas e saídas de passageiros apressados, crianças fazerem xixi, para comprar e vender qualquer coisa e também para enviar sacos enormes de grãos, bagagens e animais de um lado para o outro.

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Cada uma das janelinhas conta uma história. Alguns sorrisos tímidos, outros um pouco mais sérios e todos, sem excessão, bem curiosos.

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Alguns passageiros levantam de suas poltronas e se aproximam com perguntas como: de onde você é, o que está fazendo e quanto você ganha por mês.

Em uma dessas estações eu usava uma camiseta regata e a minha tatuagem estava a mostra. Nem preciso dizer que foi uma atração à parte.

“Nice tattoo!” Disse um menino apontando para a minha tatuagem! Pronto! Dois, três, dez rapazes começaram a me perguntar de tudo. Quanto a tatuagem tinha custado, onde eu tinha feito, quem tinha feito, elogiavam, tocavam e, claro, pediam para tirar uma foto.

Com tanta gente me perguntado o preço da tatuagem eu resolvi criar um valor. Comecei a dizer que havia me custado 10.000 rúpias.

As caras de espanto foi uma coisa de outro mundo. Mas aí eles vieram com mais e mais perguntas. Desisti e achei melhor dizer que não me lembrava do valor.

As crianças, sempre elas, são as mais receptivas. Se aproximam, dão thauzinho e estendem suas mãozinhas nos vãos das janelas.

Apertos de mãos e sorrisos que eu nunca mais vou esquecer na minha vida.

Por Marcos Galinari – fotógrafo, videomaker e documentarista // www.instagram.com/marcosgalinari

Viajando de trem pela Índia

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Olá! Que bom que você veio! Sou Marcos Galinari, fotógrafo, videomaker, documentarista e apaixonado por contar histórias! Todo mundo já deve ter ouvido falar de uma das 7 maravilhas do mundo ou de um roteiro turístico pra lá de deslumbrante não é mesmo?! Mas, o que acontece quando você literalmente desvia da rota e vai além do cartão postal? Com certeza muitas descobertas e grandes experiências! E é este o meu objetivo por aqui. Dividir com vocês muito mais do que dicas de viagens e turismo. Eu quero, através do "Desviei da Rota", poder inspirar as pessoas através das minhas viagens. Vem desviar da rota comigo!

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