Viajando de trem pela India

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Eu passei várias horas viajando de trem pela India e posso garantir que é uma aventura e tanto!

Já disse aqui em outros posts que ir para a Índia e não viajar de trem é quase como ir a Veneza não dar uma voltinha de gôndola.



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Não era bem essa a comparação que eu queria fazer, mas fique sabendo que se você for para a Índia e não der nem um rolezinho de trem, você vai perder muita coisa.

Nunca dá para escrever um post sobre os trens indianos e ser “o post definitivo”. Você sempre vai encontrar alguma coisa nova ou lembrar de algum fato. O assunto é sempre riquíssimo.

A gente te que ir dividindo em categorias: bizarrices, maluquices, esquisitices, não dá para encarar, encarei e me ferrei, deu certo, deu mais ou menos e por aí vai!

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Se viajar algumas horinhas de trem já é uma aventura daquelas, imagina passar uma noite inteirinha.

E o que é mais louco é que, assim como o trânsito na Índia que é um caos mas dá certo, o a muvuca do trem tem uma hora que se ajeita também.

Chega o momento em que todos estão sentados ou deitados. Mesmo que sejam muitos sentados nos lugares dos outros e outros tantos deitados em uma mesa caminha.

Os trens indianos possuem classes distintas. Falando aqui de uma forma bem básica, você pode viajar com mais conforto (lê-se ar condicionado, poltronas numeradas e serviço de bordo), um pouco menos de conforto (ar condicionado e poltronas numeradas que podem ser “invadidas” a qualquer momento) e com quase ou nenhum conforto.

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Se você viajar em um desses trens sem numeração nenhuma, aí sim você poderá dizer: eu sou doidão e viajei de trem pela Índia como os indianos.

E nesses vagões, além da poltrona não ser numerada, não vão respeitar mesmo que seja. O número de bilhetes vendidos sempre serão maiores do que o numero de assentos e é aquele deus nos acuda, ou melhor, shiva que me salve!

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Pensou em ir no banheiro já perdeu a vaga. Não tem como, onde e com quem reclamar.

E não é porque o vagão em que você está viajando tem ar condicionado que você não vai passar calor. Muitos deles estão cheios de ventiladores e mesmo assim não dão conta.

O inverso também pode acontecer. Passar um friozinho durante a madrugada. Alguns vagões oferecem cobertores. Eles vem embrulhadinhos em um saco de papel. Em outros, os cobertores já estão amontoados em cima do assento. Sinal de que já foram utilizados por outros passageiros.

Aí, vai de você. Ficar com nojinho e passar frio, ou estender as mãos e pegar qualquer um deles para cobrir suas pernas ou cabeça. Também tem este detalhe, não cobre o corpo inteiro.

Mesmo viajando na classe sleeper (com um certo conforto, caminha e tal) a experiência é bem louca.

A começar pelo movimento das pessoas antes do início da viagem. Em uma assento único, podem viajar famílias inteiras. E eles não vão ficar nem um pouco acanhados em sentar ao seu lado e até mesmo dormir de conchinha com você.

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Se estiver perdendo o seu lugar ou se sentir incomodado o jeito mesmo é fazer aquela cara amarrada, mostrar o bilhete e falar sério com o fulano. Nada que uma discussãozinha rápida não resolva.

O trem vai parando de estação em estação. Às vezes essas paradinhas são bem rápidas, coisa de dois minutinhos apenas. Mas sempre dá para dar uma corridinha bem na frente em comprar um chai.

Vendedores de chai pelo trem é o que não falta também. “Garam Chai”, ou chai quente – eles passam oferecendo em pequenos copinhos. O valor é tabelado: 10 rúpias. Algo em torno de 50 centavos de real.

Quer saber mais sobre o chai indiano? Eu escrevi o que achei e também algumas curiosidades neste post aqui!

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A noite e a madrugada em um trem indiano é bem movimentada pois sobe e desce gente em praticamente todas as estações. Pessoas vão ao banheiro a cada instante. Conversam durante o tempo todo não se importam com o horário e os espaços mínimos entre uma cama ou uma poltrona.

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Minha mochila maior sempre ia no bagageiro ou embaixo da minha poltrona. Às vezes longe de onde eu estava.

Na mochila menor, eu leva os meus pertences de valor: câmeras fotográficas, lentes, computador e acessórios.

Esta mochila, aliás, serviu muitas vezes como travesseiro. Não dava para desgrudar dela. Roubos na Índia não são assim tão raros como muitos pensam. Entre uma estação e outra é comum pessoas entrarem e levarem bagagens de alguém que esteja dormindo ou distraído.

Dinheiro, passaporte e outros documentos eu levava em um “money belt” (tipo de uma pochete) sempre preso à minha cintura. É por isso que eu adoro pochetes! Essa moda ainda vai voltar! Anotem aí!

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Antes do embarque muitos vendedores costumam oferecer correntes e cadeados para prender as bagagens.

Como eu já mencionei antes, também em outros posts, os trens na Índia costumam atrasar de vez em quando. E quando isso acontece, eles são realmente bem grandes. Podem ser de uma, duas ou até seis horas ou mais de atraso.

Em uma das viagens que fiz, o trem ficou parado umas duas horas entre uma estação e outra. Começou a me dar uma forte dor de cabeça, depois enjôo, fome e muita vontade de ir ao banheiro.

Os corredores do vagão estavam tomados por pessoas e bagagens até o teto. Eu tinha uma pequena sacola com alguns remedinhos, mas ela estava justamente na mochila maior e do outro lado do meu vagão. Era impossível acessá-la. Nem uma garrafinha d’água naquele momento eu tinha.

Daquele dia em diante eu passei a levar comigo além dos remédios, água e umas bolachinhas.

Por Marcos Galinari – fotógrafo, videomaker e documentarista // www.instagram.com/marcosgalinari

Gravei um video viajando de trem pela Índia! Dá só uma olhada!!

 

Neste video aqui eu dou duas dicas, ou melhor, eu vou falar para vocês duas lições que eu aprendi viajando de trem pela Índia. Vale a pena assistir!!

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