Garrafinhas jogadas ao mar

Vivemos uma época em que todos estão gritando, mas poucos estão ouvindo.

Na maioria das vezes a própria pessoa que grita, não se ouve.

Uma frase dita hoje poderá fazer sentido daqui há um ano. O livro que li há dez anos, hoje tem outro sabor.

O velho e ultrapassado conselho, hoje já nem é tão amarrotado assim.

Sigo, de pouco em pouco, lançando as minhas garrafinhas ao mar.

Espero, que de uma forma ou de outra, elas cheguem até alguém.

Pode até ser que uma onda desavisada deixe ela bem alí, ao seus pés.

Pode ser que ela dê a volta ao mundo e volte para mim mesmo. Já recolhi várias.

Pode ser que algumas garrafinhas cheguem atrasadas, outras, uns cinco, dez anos à frente do meu tempo e do seu.

Jogue as suas, pegue outras, não abra nenhuma.

Se você deixou passar alguma delas, não se desespere. De quando em quando elas aparecem.

Algumas, todos os dias.

Texto e foto por Marcos Galinari
foto: Mulher à beira do Rio Ganges em Rishikesh, Índia.

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